quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Gaivotas em Terra [II]

Famego | Common Gull | Gaviota cana

C 40-46 cm, ENV 100-115 cm
Estatuto em Portugal: Invernante pouco comum

É vulgar observar a Gaivota-parda ou Famego (Larus canus) nas praias norte de Matosinhos.
Curiosamente e sem que eu encontre justificação para isso, verifico que não é muito frequente vêr esta espécie nas praias que ladeiam o Porto de Leixões.
Assim, foi com alguma surpresa que na passada terça-feira observei na Praia de Matosinhos duas aves desta espécie junto ao paredão e duas horas depois, um individuo na foz da Ribeira de Carcavelos.
Nidificando no Norte da Europa, é uma espécie pouco abundante em Portugal e, normalmente, encontramos individuos isolados ou em grupos muito reduzidos, sendo mais comum observar juvenis.
As águas costeiras da Península Ibérica e do noroeste de África são o limite sul de distribuição da invernada desta espécie.
Embora seja um visitante regular, o Famego é um invernante escasso em Portugal

domingo, 24 de janeiro de 2016

Common scoter | Negrola | Negrón común

C 44-54 cm, ENV 70-84 cm

Recentemente numa das minhas saídas para observação de aves marinhas, quando vagueava pelos cais da Docapesca no Porto de Leixões,  reparei que na zona onde habitualmente se concentra um grupo de Corvos-marinhos (Phalacrocorax carbo) estava uma ave na água que não tinha silhueta de corvo. Levei os binóculos ao olhos e vi que se tratava de uma Negrola.
Embora estivesse muito longe, apontei-lhe a objectiva para lhe tirar algumas fotos. Curiosamente, de imediato ela se apercebeu que eu lhe estava a apontar o “canhão” e logo se pôs em fuga em direcção a alto-mar.
Embora as fotos não sejam de qualidade, resolvi partilhar esta observação.

Estatuto em Portugal Continental:
Invernante comum ocorre quase exclusivamente na faixa costeira Norte entre o Cabo da Roca  e a foz do Rio Douro.  

Distribuição Global:
Tem uma distribuição vasta no hemisfério norte. A subespécie europeia reproduz-se no Norte da Europa, estendendo-se do Norte da Escócia, Escandinávia até à Rússia.
Inverna ao largo das costas ocidentais da Europa central e do sul (Bird Life International/European Bird Census Council 2000). 

Tendência Populacional:
A nível europeu a espécie é considerada como não ameaçada, apresentando no entanto declínios populacionais nalguns países (Finlândia, Irlanda e Reino Unido)(BirdLife International/European Bird Census Council 2000).

Em Portugal tem apresentado declínio continuado da extensão de ocorrência, área de ocupação e do número de indivíduos maturos (ICNF). 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Ireland Gull – 24 anos depois

EspécieLarus fuscus (Gaivota-d'asa-escura) 

Anilha metálica - GH82607
Anilhador: Cape Clear BO
Local onde foi anilhada: Focarrig, Cape Clear Island, Cork, Ireland 
Local da observação: Praia do Paraíso, Matosinhos, Portugal 
Distância: Cape Clear Island > Matosinhos = 1137 km (em linha recta)
Data da observação: 02.01.2016

M[GH82607]


Esta gaivota foi anilhada no ninho no dia 16 de Junho de 1991.
Pela informação da BTO-BritishTrust for Ornithology  não existe nenhuma observação anterior, ou seja, passaram 24 anos (8966 dias) depois que a ave foi anilhada para se confirmar que a ave ainda está viva.
Acredito que esta ave já tenha sido observada por outras pessoas a noutros lugares. Como a leitura das anilhas metálicas nem sempre é possível ficamos assim impedidos do conhecimento mais aprofundado da história de vida desta ave e suas rotas migratórias.

E, certamente, esta “Lady” teria muitas histórias para contar…

Cape Clear Island > Matosinhos = 1137 km

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Report.2015


AVES MARINHAS MIGRATÓRIAS EM MATOSINHOS

2015 - RELATÓRIO

Este trabalho foi realizado com base no registo pessoal de aves observadas na zona costeira do concelho de Matosinhos entre a foz da Ribeira de Carcavelos (Praia de Matosinhos)[Coordenadas: 41.176885, -8.693382] e a foz do Rio Onda (Praia de Angeiras-Norte)[Coordenadas: 41.2649388, -8.7280255].
Independentemente da importância de outras praias do Concelho, foi privilegiada a observação na Praia de Matosinhos e na área da Docapesca no Porto de Leixões, por considerar as zonas mais sensíveis e onde é possível encontrar maior concentração de aves migratórias. No caso da Praia de Matosinhos por ser o principal dormitório de gaivotas do concelho e a Docapesca pela importância como local de alimentação e por concentrar muitas aves migratórias que se aproximam da costa seguindo os barcos com o pescado no regresso ao porto.
As observações registadas estão, maioritariamente, confirmadas com suporte fotográfico.
As fotos podem ser vistas na Galeria, que administro, dedicada ao registo de aves anilhadas na Europa “Ringed Birds in Europe” e as raridades na minha galeria pessoal .

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Saídas de Campo.2015
Mês
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
TOTAIS
Praia de Matosinhos e Docapesca
15
8
17
9

4
4
2
9
8
4
7
87
Outras
4
2
3


1

1
3
2
4
2
22
Nota: Apenas foram consideradas as observações com duração mínima de 2 horas.

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Observação de Aves Anilhadas por Espécie
Mês
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
TOTAL
Arenaria interpres









1
1

2
Calidris alba











1
1
Hibridas (Larus)


1
3








4
Larus fuscus
40
18
66
62

19
25
20
176
89
29
68
612
Larus fuscus intermedius


3
3




7



13
Larus marinus










1
1
2
Larus michahellis
16
8
7
11

6
11
5
65
15
9
12
165
Larus michahellis lusitanius






2

2
1

1
6
Totais
56
26
77
79
0
25
38
25
250
106
40
83
805



Por País de Origem das Anilhas:
País
Arenaria interpres
Calidris alba
Larus fuscus
Larus fuscus intermedius
Larus michahellis
L.michahellis lusitanius
Larus marinus
Híbridos
Total
Bélgica


17





17
Dinamarca


22





22
Reino Unido


118



2
1
121
Ilhas Faroé


1





1
França


49




3
52
Alemanha


19





19
Guernsey


245





245
Holanda


88





88
Islândia
2
1
10





13
Noruega


13
13




26
Portugal


1

23



24
Escócia


22





22
Espanha


6

142
6


154
Outros


1





1
Totais
2
1
612
13
165
6
2
4
805

Pode consultar a foto e o ultimo relatório de observação de cada anilha, na página “Colour-rings” deste blog. 

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Ave mais idosa observada
Idade: 26 anos
Espécie: Larus fuscus
Sexo: Desconhecido
País de Origem: Reino Unido
Anilha metalica: “GG70601”
Anilhadores: Shaw e Armstrong
Local: South Walney Bird Observatory, Cumbria, England
Data da anilha: 01.07.1989
Foto e : https://www.flickr.com/photos/zemarks/19189117736/in/pool-ringedbirdseurope/

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Raridades em Portugal

Estas observações foram registadas nas Praias de Leça, Matosinhos e na Docapesca no Porto de Leixões.
Larus glaucoides
Por alguns hábitos característicos que fui observando no comportamento das aves, posso concluir, com alguma margem de segurança, que se trata sempre da mesma ave. Este individuo vagueia entre as praias de Matosinhos e Leça e o porto de pesca e parece que se estabeleceu em Matosinhos.
Exceção para o registo no dia 23 de Março em que observei um par de aves desta espécie na foz da Ribeira de Carcavelos.

Larus hyperboreus
Á semelhança da Larus glaucoides também registei várias observações durante todo o ano de um individuo que, presumo, se tratou sempre da mesma ave.

Dado que já é habitual a observação em Matosinhos destas duas aves, curioso será saber até quando se manterão nesta região.

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Porto de Leixões
Espécies observadas na área da Docapesca:

-Alveola-branca (Motacilla alba )
-Alveola-amarela (Motacilla flava )
-Andorinha-do-mar (Sterna hirundo)
-Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica)
-Corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo)
-Gaivota-de-cabeça-preta (Larus melanocephalus)
-Gaivota-de-patas-amarela (Larus michahellis)
-Gaivota-de-asa-escura (Larus fuscus)
-Gaivota-hiperbórea (Larus hyperboreus)
-Gaivota-polar (Larus glaucoides)
-Gaivotão-real (Larus marinus)
-Ganso-do-egipto (Alopochen aegyptiacus)
-Garajau-comum (Sterna sandvicensis)
-Garça-branca-pequena (Egretta garzetta)
-Garça-real (Ardea cinerea)
-Guarda-rios (Alcedo atthis)
-Guincho-comum (Larus ridibundus)
-Pardal-comum (Passer domesticus)
-Pombo-domestico (Columba livia)
-Rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros)
-Rola-do-mar (Arenaria interpres)
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agradecimentos:

Ao Dr. Vasco Fernandes, Director da Docapesca-Matosinhos, pelas facilidades concedidas, a Peter Rock, Coordenador-EURING, pelo apoio recebido e aos Centros Emissores das anilhas a informação partilhada.

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