quinta-feira, 19 de maio de 2016

Black-headed Gull (Larus ridibundus)


                                                Video (1:09 min.)

Larus Ridibundus (*)

Adulto

 Ca:Gavina vulgar Da:Hættemåge De:Lachmöwe Es:Gaviota reidora Fi:naurulokki Fr:Mouette rieuse It:Gabbiano comune Nl:Kokmeeuw No:Hettemåke Pt:Guincho Sv:Skrattmås Ru:Озерная чайка

C 35-39 cm, ENV 86-99 cm

Fenologia em Portugal:
Continente – Invernante e Migrante de Passagem (muito abundante); Residente (raro).
Açores e Madeira - Invernante e Migrante de Passagem (pouco comum).

O Guincho-comum (Larus ridibundusé uma pequena gaivota que cria no Norte do continente europeu, no sul da Gronelândia, na Ásia Central, Rússia e na América do Norte. Quando há gelo faz a migração para regiões europeias a sul das áreas de nidificação, nas costas norte de África e a norte do equador nas costas temperadas e tropicais do continente asiático.

Em Portugal Continental, a grande maioria da população desta espécie ocorre durante o Outono e o Inverno voltando a migrar para Norte em Março e Abril. No entanto, pode ser observada durante todo o ano porque ficam por cá alguns indivíduos imaturos não reprodutores.

Os locais mais frequentados além de toda a orla costeira, são os estuários, rias, lagoas costeiras e no interior surge em barragens, açudes, pastagens, aterros sanitários e ETAR's.
Não é uma espécie pelágica e raramente é visto no mar longe da costa.

Como a maioria das gaivotas, o Guincho-comum é uma ave de vida longa, com uma idade máxima registada no estado selvagem de cerca de 33 anos.

Em termos de preservação da espécie, a tendência global das populações, embora ainda muito numerosa, é de decréscimo. A maioria das ameaças mais relevantes para esta espécie estão relacionadas com a perturbação, destruição e contaminação das áreas de nidificação.

O seu nome cientifico Larus ridibundus significa, literalmente, “a gaivota que ri”


Adulto-Inverno

(*) Nota taxonómica:

- Alguns guias de campo designam esta espécie com o nome cientifico Chroicocephalus ridibundus. Todavia, esta alteração do nome não é considerada por todas as autoridades. A adopção do género Larus decorre das recomendações emitidas pela AERC-Association of European Records and Rarities Committees

>>>|||<<<


quinta-feira, 12 de maio de 2016

Ireland Gulls


Nos lugares onde habitualmente faço observação de aves marinhas não tem sido muito vulgar registar aves anilhadas na Irlanda.
Por isso vou hoje dedicar esta página a duas aves que, curiosamente, são duas “primeiras”.

-A gaivota com a anilha azul  B[4VF]  que foi a minha primeira ave observada com anilha colorida, em Novembro de 2010;

-A gaivota com anilha metálica GH82607, foi a primeira ave que registei este ano, no dia 2 de Janeiro.

Vamos lá conhecer parte da história de vida destes indivíduos:



Anilha -     B[4VF] 
Espécie - Gaivota-d'asa-escura (Larus fuscus)
Anilhada em – Verão de 2009
Anilhador: Chris Honan (BTO)
Local de origem: Westcourt, Drogheda – Ireland

Observações:
-Novembro de 2010 no Parque da Cidade, Porto, Portugal por José Marques


Anilha metálica - GH82607
Espécie - Gaivota-d'asa-escura (Larus fuscus)
Anilhada em – 16.06.1991
Anilhador: BTO
Local de origem: Focarrig, Cape Clear Island, Cork, Ireland

Observações:
-02.01.2016 na Praia do Paraíso, Matosinhos, Portugal por José Marques

Notas:
-Avistado 8966 dias depois de ter sido anilhado e a 1137 kms do local de origem.
-Este foi o primeiro registo fora da Irlanda (25 anos depois) e só possível porque a ave estava muito calma, ou cansada, permitindo tirar as fotos suficientes para ler a gravação na anilha.

Cape Clear Island>Praia Paraíso = 1137 kms





Agradecimento:
 Á BTO-British Trust for Ornithology pela informação partilhada.


sábado, 7 de maio de 2016

Centros Europeus de Recuperação de Aves Marinhas (II)

Larus michahellis N[F636]

Hoje vou divulgar dois assuntos muito interessantes, primeiro, parte da vida de uma Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) e depois, o trabalho desenvolvido no CERVAS.
Quem, como eu, se dedica à observação de aves anilhadas, sabe que está a exercer uma actividade cívica que contribui decisivamente para o estudo das aves. A contrapartida esperada é a recolha de informação que possibilite conhecer um pouco da “história de vida” das aves observadas.
Para mim é muito interessante saber onde nasceu ou foi anilhada a ave que estou a observar e conhecer os locais onde foi avistada e a rota migratória usada ao longo dos anos da sua vida.
Quando observei a “F636” estava longe de imaginar a história atribulada desta gaivota. Escreverei apenas algumas linhas porque ela não precisa que fale muito de si pois já é uma “estrela” e a sua história é “viral” no Facebook e nas redes sociais.

Larus michahellis N[F636]

O CERVAS divulgou a história sob o título:

“Uma gaivota-de-patas-amarelas que viajou de camião até Oliveira de Frades já regressou a Matosinhos”

terça-feira, 3 de maio de 2016

No dia 23 de Abril de 2016 foi observada e fotografada por  José Marques na praia de Matosinhos uma gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) com uma anilha preta F636.
Esta ave tinha sido entregue no CERVAS a 4 de Novembro de 2015 pelo SEPNA/GNR de Viseu após ter sido encontrada dentro de um camião que tinha viajado desde o porto de Leixões até Oliveira de Frades, no distrito de Viseu.
No momento do ingresso a ave estava muito debilitada, com diarreia e incapaz de mover as asas e patas, um síndrome parésico que tem sido detectado com cada vez maior frequência ao longo da costa portuguesa.
O processo de recuperação foi longo e consistiu em terapia de suporte e alimentação forçada numa fase inicial, ao que se seguiu um período de treino, musculação e socialização com uma gaivota-d´asa-escura (Larus fuscus), que também foi devolvida à Natureza .
A libertação da gaivota-de-patas-amarelas foi realizada por vigilantes da Natureza da Reserva
Natural do Paul da Arzila / Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) junto ao rio Mondego, em Coimbra, no dia 30 de Março de 2016.
Em cerca de 3 semanas, a ave já estava no local de onde tinha vindo, próximo do porto de Leixões, o que revela a grande capacidade de sobrevivência e de orientação desta espécie, tal como também tem sido possível comprovar através do projecto de seguimento de gaivotas recuperadas coordenado pelo RIAS desde 2010.
É ainda de referir que no dia 3 de Maio a gaivota foi novamente detectada na mesma zona, agora junto à Docapesca do Porto de Leixões.
O CERVAS agradece às inúmeras pessoas envolvidas na história de recuperação desta gaivota, em especial ao José Marques pelo envio das fotografias e cedência das informações relativas à observação e também aos técnicos do RIAS pela coordenação do projecto de seguimento.

Esta notícia foi replicada posteriormente pela Wilder com o título:

Não se sabe bem como mas esta gaivota-de-patas-amarelas acabou por viajar de camião cerca de 100 quilómetros, do porto de Leixões a Oliveira de Frades, e levou meses a recuperar de uma doença. Há poucos dias foi avistada numa praia de Matosinhos, totalmente recuperada.
Esta história começa a 4 de Novembro do ano passado quando o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR de Viseu entregou a gaivota (Larus michahellis) ao CERVAS (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens), em Gouveia.
A ave tinha sido encontrada dentro de um camião que tinha viajado desde o porto de Leixões até
Oliveira de Frades, no distrito de Viseu”, fazendo cerca de cem quilómetros, segundo um comunicado do CERVAS.
Quando chegou ao centro, a gaivota “estava muito debilitada, com diarreia e incapaz de mover as asas e as patas, um síndrome parésico que tem sido detectado com cada vez maior frequência ao longo da costa portuguesa”, acrescenta.
Durante cinco meses, a gaivota esteve em recuperação, primeiro com terapia de suporte e alimentação forçada e depois com treino, musculação e socialização com uma gaivota-d’asa-escura (Larus fuscus) que também já foi devolvida à natureza.
A 30 de Março, a gaivota-de-patas-amarelas foi libertada junto ao rio Mondego, em Coimbra, por vigilantes da Natureza da Reserva Natural do Paul da Arzila.
Cerca de três semanas depois, a 23 de Abril, José Marques fotografou-a na praia de Matosinhos. Foi possível identificá-la graças à anilha preta F636. Para o CERVAS, isto “revela a grande capacidade de sobrevivência e de orientação desta espécie”.


>>>|||<<<





O CERVAS foi criado em 2004 para funcionar como um hospital associado a um núcleo de apoio à investigação científica, para desenvolvimento de trabalhos ligados à ecologia, vigilância e recuperação da fauna selvagem. Iniciou, em 2006, a actividade fundamentada na recepção, tratamento, recuperação e posterior devolução à Natureza dos animais selvagens recuperados.
Complementa estes trabalhos com a divulgação do património natural regional e acções de educação ambiental.
O CERVAS-Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens é um Organismo que pertence ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) inserido no Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE).
Esta estrutura está situada bem no centro de Portugal em plena região montanhosa e, naturalmente, não é um Centro vocacionado para tratar aves marinhas o que só acontece se na região aparecer, acidentalmente, uma ave com necessidades de tratamento, como aconteceu com a “F636”.

De qualquer modo, aproveito para realçar e homenagear a Equipe que trabalha no CERVAS em prol da conservação da Natureza.

Um grande bem-haja a todos.


>>>|||<<<

Agradecimento:

- A Ricardo Brandão (CERVAS) pela informação partilhada.



                                                           >>>|||<<<







quinta-feira, 5 de maio de 2016

Razorbill (Alca torda)



C 38-43cm, ENV 60-69 cm

En-Us:Razorbill Ca:Gavot Da:Alk De:Tordalk Es:Alca común Fi:ruokki Fr:Pingouin torda It:Gazza marina Nl:Alk No:Alke Pt:Torda-mergulheira Sv:Tordmule Ru:Гагарка



Numas das minhas ultimas visitas ao Porto de Leixões para observação de aves marinhas parei no local onde costumo observar a colónia (cerca de 30 aves) de Corvos-marinhos que invernam na área do porto e reparei que a colónia já tinha rumado a Norte para se reproduzir e só lá estava um juvenil e… uma Torda-mergulheira (!) que se alimentava calmamente mergulhando e fugindo de algumas “bicadas” de gaivotas que pareciam não estar a gostar do concorrente!
Embora seja considerada uma espécie comum ao largo da costa norte de Portugal, não é muito vulgar observar estas aves tão próximo da costa.

A Torda-mergulheira é o álcideo mais fácil de observar nas águas portuguesas.
Esta espécie ocorre em Portugal como migradora de passagem e Invernante. A migração pré-nupcial vai de Janeiro até meado de Abril mas pode ocorrer o caso de alguns migradores tardios e aves imatura que aqui permanecem algum tempo mais.


Estatuto de Conservação:
Em Portugal Continental é uma invernante abundante. Nas Ilhas é uma “Acidental” porque não são conhecidos registos na Madeira e existem apenas dois registos desta espécie no arquipélago dos Açores.
No continente Europeu a espécie apresenta uma população expressiva, aparentando estabilidade ou até mesmo algum crescimento.




>>>|||<<<