sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Balearic Islands Gulls

Gaivotas das Ilhas Baleares



Após fotografar esta gaivota, quando tirei o olho da máquina e olhei para o local onde a vi... já ela lá não estava!

Fiquei apenas com uma foto e não tive oportunidade para ver que ela transportava nas suas costas um dispositivo de GPS.

Assim, foi com alguma surpresa que recebi o relatório da história de vida acompanhado de um mapa com o registo do percurso que ela realizou de Mail de 2016 até ao seu regresso às Baleares em Novembro deste ano, após uma longa viagem pelo Norte e Centro da Península Ibérica.





Mais surpreendido fiquei quando li no Blog do Grupo de Ecologia da População (IMEDEA) um artigo sobre esta ave e a razão da sua publicação.

O facto é que as Autoridades das Baleares ordenaram recentemente o abate de Gaivotas-de-patas-amarelas (Larus michahellis) no aterro sanitário de Ibiza (!)


O trabalho empreendido pela comunidade cientifica quer provar que gerir uma população no inverno é inútil, se o objectivo é reduzir a população local, porque estas aves são muito móveis e a população invernante é composta de indivíduos de múltiplas origens e não apenas locais. 

Eu sei pouco de Direito Internacional mas,parece-me, que esta questão de abate, por um Estado, de espécies selvagens migratórias, é contrário aos princípios ambientais reflectidos em tratados e acordos ratificados. 

Outras aves anilhadas no Arquipélago das Baleares que registei em Matosinhos:
(Clik no código da anilha para obter mais informação)






ON[B4FM]




Agradecimento:
- A Giacomo Tavecchia (IMEDEA).











sábado, 2 de dezembro de 2017

Finland Gulls [2]

Gaivotas da Finlândia [2]



- Espécie – Larus fuscus
- Anilha – WN[CA.3A]
- Anilhador - Juhani Hannila
- Idade quando anilhada: Juvenil, já fora do ninho
- Data e local da anilhagem – 05.07.2014 - Kokkola, Keski-Pohjanmaa, Vaasa,Finland

Não é muito vulgar observar em Portugal gaivotas anilhadas na Finlândia.
Todavia, este individuo parece ter escolhido o nosso país para invernar pois já em 2016, na companhia dos amigos Peter Rock e do Inocêncio Oliveira, registei a sua presença nas nossas praias.

Quadro de observações anuais registadas
ANO
JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
OUT
NOV
DEZ
*
2014






ring





1
2015













2016









2
1

3
2017
1








1


2
* = Total de avistamento registados
Observações registadas:
05.07.2014 Kokkola, Keski-Pohjanmaa, Vaasa, Finland – ringer
29.10.2016 Espinho Beach, Espinho, Aveiro, Portugal – Manuel Petiz
31.10.2016 Espinho Beach, Espinho, Aveiro, Portugal - Peter Rock, Inocêncio Oliveira & José Marques
01.11.2016 Espinho Beach, Espinho, Aveiro, Portugal – Manuel Petiz
20.01.2017 Caleta de Vélez, Málaga, Spain -
26.10.2017 Matosinhos Beach, Portugal – José Marques



Neste mapa descrevo a presumivel rota migratória baseada nos registos de observação conhecidos. Em linha recta, este percurso equivale a 7813 kms... Impresssionante!

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Agradecimento:
A informação do histórico desta ave foi disponibilizada por: LUOMUS Ringing Center (University of Helsinki)

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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

England Gulls - Peter Rock Project

Gaivotas Inglesas – Projecto do Peter Rock

G[L+S] 

Nos primeiros meses de Inverno, Portugal recebe muitas aves vindas do Norte da Europa que por aqui passam com destino a Sul ou, que vêm passar o Inverno connosco.
Como é habitual, no principio do mês de Novembro, recebemos também a visita do amigo Peter Rock que vem percorrer a costa portuguesa acompanhando o movimento das “suas” aves.

Como sempre, o nosso encontro matinal ficou marcado no Bar do Porto de Pesca e enquanto tomamos o nosso café, planeamos o dia visitando não só o Porto de Pesca e Praia em Matosinhos mas também a Reserva Natural do Estuário do Douro e a Praia da Aguda.
No Estuário do Rio Douro

Naturalmente que o principal objectivo do Peter é observar as aves do Projecto que lidera e, o dia parecia prometer, pois chegados ao cais, ainda o sol não tinha raiado, logo registamos a presença da juvenil com a anilha G[L+S] . Curiosamente esta ave parece estar a invernar nesta zona porque esta é a quinta vez que registo a sua presença em Matosinhos.

Ao longo do dia registamos cerca de cinquenta aves anilhadas distribuídas pelas espécies; Larus fuscus, Larus michahellis, Larus melanocephalus e Ardea cinerea. Estas aves pertencem a Projectos com origem em: Inglaterra, Belgica,Holanda, França, Guernsey, Ilhas Baleares, Noruega, Escócia, Dinamarca, Alemanha e Portugal.

Contrariamente ao que é habitual, quando chegamos à Praia da Aguda apenas estavam no areal cerca de 20 gaivotas pelo que decidimos ir a Espinho encerrar o nosso dia de Gullwatching. E, foi na Praia de Espinho que registamos a segunda gaivota do dia que pertencia ao Projecto do Peter. Era a G[B+K] um belo juvenil nascido no Verão deste ano.

 G[B+K]

Outras aves nascidas em 2017, do Projecto do Peter Rock, que já registei em Matosinhos:
(clik no código a verde para obter mais informação sobre a ave seleccionada)

G[S+T]

No fim do dia... o abraço de despedida e a promessa de um novo encontro em 2018.

Até lá Peter, tudo de bom para ti.


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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Seagulls on land (11)

Gaivotas em Terra (11)
Larus hyperboreus

Estamos em pleno período migratório das aves vindas do Norte da Europa, por esse motivo, ultimamente tenho dedicado especial atenção ao registo das gaivotas anilhadas que aqui vêm invernar ou que passam por Matosinhos na sua rota para Sul.

As minhas saídas de campo têm sido bastante produtivas. Longas listas de registo de aves anilhadas resultam em muitas horas de trabalho com a seleção de fotos, redigir Relatórios de Observação; registos na minha base de dados, envio dos Relatórios para os Centros emissores das anilhas, etc. etc…. enfim, muito trabalho em casa!
Exemplo disto aconteceu na manhã do dia 24 do passado mês. Fui á Praia de Matosinhos e além das 8 espécies/subespécies de gaivotas, registei 63 indivíduos com anilhas coloridas.

Por ser o primeiro fuscus fuscus” anilhado que registei em Matosinhos quero destacar a observação deste jovem:

Larus fuscus fuscus (Noruega)

- Anilha - N[J215K] 
- Anilhadores - Carl David Baggot - Morten Helberg – Runar Omnø
- Idade quando anilhada: Pinto
- Local e data da anilhagem – E Lislandholmen, Nordhorsvær, Sømna, Nordland, Norway ( 65°19'24"N 011°36'33"E ) em 03.08.2017

Curiosidades:
- Apenas a partir da localização onde esta ave nasceu, Lislandholmen, Nordhorsvær, Sømna, Nordland, são reconhecidas colónias puras para o taxon de reprodução " fuscus fuscus ".
- Esta é a sua primeira viagem migratória e o registo de observação em Matosinhos, o primeiro depois que partiu da Noruega.
Lislandholmen > Matosinhos = 2975 kms

De outras aves observadas, partilho aqui algumas imagens;

Larus michahellis lusitanius (Asturias-Espanha)

Larus canus

Larus ridibundus

Larus marinus


Larus fuscus graellsii (Islândia)

Agradecimentos:
- Grupu d'Ornitoloxia Mavea (Asturias-Espanha)  


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domingo, 29 de outubro de 2017

Ireland Gulls [3]

Gaivotas da Irlanda [3]


Há dias fui surpreendido por avistar uma gaivota com uma anilha que era nova para mim.



Anilha vermelha com o código alfa-numérico branco de três algarismos terminando em :D.
Graças às actuais tecnologias (smartphone), logo na praia, consultando o site da Euring, eu vi que pertencia ao Projecto da The Irish Midlands Ringing Group 

Após reportar a minha observação recebi informação de que o IMRG iniciou este ano um estudo sobre Gaivotas Urbanas em Dublin.
O IMRG fixou as anilhas vermelhas com códigos exclusivos em 90 crias de gaivotas que nidificaram no centro da cidade de Dublin.

Depois desta primeira Larus fuscus, registei, na Praia de Matosinhos e no Porto de Leixões, mais duas aves deste projecto; a R[025:D] e a R[056:D] cujas fotos aqui incluo.


Com esta iniciativa o IMRG está particularmente interessado em recolher informação que permita posteriormente construir uma imagem detalhada sobre; sobrevivência, movimentos, utilização da cidade, população e comportamento das gaivotas urbanas em Dublin.
Este estudo pretende também contribuir para um debate equilibrado e baseado em factos sobre gaivotas urbanas no futuro.


Dublin>Matosinhos= 1364 kms

Curiosa a semelhança ao Projecto que há já muitos anos o meu amigo Peter Rock desenvolve pelos telhados de Bristol e suas redondezas e que eu divulguei no meu post “Urbangulls vs Peter Rock”


Agradecimento:
 - Ao Graham Prole (IMRG) pela informação prestada


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sábado, 21 de outubro de 2017

Seagulls on land ... Ophelia on the sea!

Gaivotas em terra… Ofélia no mar!



Como é do conhecimento geral, há poucos dias atrás, o ciclone Ofélia ocorreu no Atlântico provocando mortes e danos graves na Irlanda e Reino Unido.
Embora o centro do furacão se localiza-se a 1220 kms a Sudoeste dos Açores, no território português, principalmente no arquipélago açoriano, também foram sentidos fortes ventos e chuva.
Depois das tempestades no mar é normal algumas espécies de aves marinhas se aproximarem e até descansarem em terra, vem daí o ditado português “gaivotas em terra, tempestade no mar!”.

Na esperança de ver alguma espécie menos frequente nestas paragens fui á praia de Matosinhos ver que aves por lá andavam.
Quando cheguei à praia fiquei surpreendido porque o areal estava completamente tomado pelas gaivotas. Apesar do movimento das máquinas e pessoas que estavam a limpar a praia das cinzas depositadas na areia em consequência dos recentes fogos na nossa floresta; dos cães que passeavam os donos; dos “espantalhos” que corriam sobre as gaivotas para fazer uma selfie para o facebook, pois... apesar de tudo isto, as gaivotas deslocavam-se de lado para lado mas permaneciam na praia.

Durante as cerca de 3 horas que passei no areal registei 60 aves com anilhas coloridas.
Aqui fica uma foto de uma das aves por cada um dos 12 países registados:














































































































Quando eu saía da praia uma velhinha vestida de negro que aqui vive há muitos anos, perguntou-me surpreendida:
- Ó senhor, você sabe porque há tantas gaivotas na praia?…

Respondi aquilo que é a minha convicção, olhei novamente o areal e, não resisti a perpetuar, num minuto, esta visão surpreendente





Se é certo que ficaram muitas aves por registar e não observei a presença de nenhuma raridade, fiquei feliz porque... foi uma manhã muito proveitosa!


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